Pânico e culpa
Eu tenho medo de ficar sozinha quando o meu pânico e culpa me sobem à garganta. O medo era, há algum tempo, a palavra e o sentimento que repercutia por todas as minhas palavras, faladas e escritas. Hoje é a culpa que permeia tudo que faço. Eu sei que eu não devo me culpar, ainda mais a respeito de coisas que aconteceram à tanto tempo. Mas ainda não sei como evitar a onda de culpa que me varre de vez em quando. A única forma que encontrei de barrar o ataque de pânico que surge após essa onda, foi tentar usar a escrita. Escrever para desafogar minha alma. Escrever me ajuda até mesmo com as dores do corpo, me distrai da suposta intolerância alimentar que me deixa inchada e faz meus pés formigarem. E a ajuda alheia e inesperada só me faz querer chorar. Quantas vezes esperei por uma palavra amiga enquanto eu me desfazia em pedaços? E agora eu nego a ajuda, com medo de desmoronar, como se isso me fizesse menos humana, menos mulher. Como se chorar fosse a prova da fraqueza que tanto tento mascarar.
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