Poema sem título

"Pois a morte não espera a dor"

  Eu vi. Acompanhei palavra por palavra
 até só restar o sal em meus olhos.
e eu sabia. Era tão real quanto meu corpo.
   Assisti os rostos calmos serem sangrados
 Isso pisoteia meu coração, me faz chorar
  Angústia e empatia, esse seria o gosto das minhas lágrimas, se você as provasse.
  Mas você só teve tempo de sussurrar meu nome.
 Você não ouviu o zumbido vindo dos céus
o som do desespero, o meu camuflado grito
    Não teve tempo de sentir a destruição
 e eu desejei saber o que você sonhava
   quando o seu sono, em um respirar da morte, se tornou eterno.
Como esse homem pode permitir o suicídio coletivo
     de cada órgão, cada tecido meu?
 aquelas caveiras, aquelas sorridentes caveiras
lençol e suor, desespero mudo.

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