Meu nome é Dalila. Meu nome é sinônimo de traição.
Ao perceber que o meu nome é um sinônimo da palavra usada para descrever o fantasma que me persegue, eu me pergunto se esses nomes, signos, significados, planetas e números realmente podem descrever algo sobre mim. Se isso realmente pode me ajudar a entender como eu ajo diante do mundo.
Já estive (talvez ainda esteja) fascinada pelos signos astrológicos, pois eu leio descrições tão bem detalhadas do meu comportamento que não parece ser mera coincidência. Mesmo que às vezes as coisas que leio sobre Capricórnio sejam meio deprimentes.
E agora me vem esse impacto do significado do meu nome, e eu não sei colocar em palavras as imagens e pensamentos aleatórios que me vem à mente enquanto penso nisso...
A palavra é apenas uma tradução de uma coisa, e uma tradução é e sempre será imperfeita. Logo, o que é o ciúme? Apenas uma palavra. Uma palavra que tenta traduzir um sentimento, mas que não pode realmente abranger todo o conteúdo desse sentimento. Afinal, a verdade do ciúme é diferente para cada um. Cada indivíduo experimenta esse sentimento de uma forma diferente, por isso não é possível descrever o ciúme em uma palavra. Nem em mil. Estaríamos apenas metaforizando.
Então por que escrevo, se não posso expressar uma única verdade? Por que falo, se não há confiabilidade na minha tradução? Por que perco meu tempo tentando exorcizar de mim essas palavras-demônios?
Porque, como ser humano, necessito de um sentido para a vida. Por isso escrevo.
Como ser humano, preciso de contato com o outro. Por isso compartilho o que escrevo.
Todas essas palavras são a metáfora de mim.
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